• Anderson Guedes

O que é economia circular, afinal?

Muitos termos no nosso cotidiano tornam-se a chamada “modinha” e com a mesma velocidade que surgem, são esquecidos ou inutilizados devido à irrelevância ou até o timing que o mesmo apareceu, porém com o avanço do aquecimento global e da consciência crescente da finitude dos recursos naturais que o nosso planeta possui, alguns conceitos vieram para ficar e não é uma questão ambiental somente, é também uma bandeira econômica muito importante.


Isso acontece com a economia circular, que aos poucos tem dominado as conversas de desenvolvimento de novos produtos em empresas de diversos setores e também discussões no âmbito do poder público.Nesse artigo você saberá o porquê dessa preocupação toda com esse conceito. Bora lá!


Nem tudo que é linear é perfeito!


Para entender de economia circular, primeiro temos que conhecer o conceito que é gerida a grande maioria da cadeia econômica:O conceito linear.


Sempre quando há um lançamento de uma versão nova de um produto (um IPhone ou um Playstation, por exemplo), há uma repentina desvalorização da anterior no olhar do consumidor que o leva a buscar comprar o último nível e deixar o “obsoleto” de lado, mesmo que a diferença tecnológica não seja muito expressiva. Isso acontece em diversos segmentos e é uma prática que até agora garantiu a sobrevivência de muitas empresas e alimentou um conceito linear de consumo de um produto.Só que essa linearidade da cadeia não está mais se sustentando.Quer saber porque?


No conceito linear, o recurso natural é extraído e transformado em produto uma vez e não é garantido que o mesmo recurso será utilizado novamente ou com a mesma “nobreza” que foi no início, pois não possui rastreabilidade e não existe uma rede estruturada de reúso desses recursos, sendo na grande maioria das vezes, o “obsoleto” sendo descartado de forma inadequada em aterros sanitários ou até mesmo é reciclado, porém sem a “relevância” que gerou o produto acabado. Uma placa eletrônica de um smartphone reutilizada com certeza vale mais que o próprio smart processado em um centro de reciclagem junto com outros materiais.



Por fim, esse conceito é dependente de novos recursos naturais e à medida que o consumo vai aumentando, esses mesmos recursos vão se tornando cada vez mais escassos e caros. Ou seja, não se sustenta nem ambiental e nem economicamente. O legal é que já existe uma solução economicamente viável para a maioria dos produtos consumíveis: A Economia circular


O futuro é circular


A Economia circular veio para fortalecer o relacionamento do ser humano com o ambiente, tornando o mesmo sustentável a longo prazo, pois não é baseada em uma estrutura dependente de contínua extração de mais recursos naturais , mas foca em ressignificar aquilo que já foi manufaturado. Isso a natureza em si já faz com seus recursos. No ambiente biológico, nada se perde.


Um ponto bem bacana é que esse conceito divide responsabilidades, ou seja, a fabricante de um

produto deve ser responsável por ele desde a concepção do projeto do mesmo até o final de vida dele, forçando a criação de uma cadeia circular. Eu posso criar um produto novo que tenha condições de remanufatura de seus componentes depois que o mesmo é descartado, por exemplo, eliminando diversos processos que consomem matéria prima e muita energia.

Infelizmente a maioria do que a gente consome hoje é tratado de forma linear e ainda existe um caminho muito longo para atingirmos o estado da arte do consumo consciente.


Mas o que eu posso fazer para mudar isso?


É importante a conscientização vir do consumidor, pois é o mesmo que muda o comportamento do mercado. Procurar saber como o componente será descartado e se tem valor depois do uso é uma forma de colaborar com essa mudança necessária. Outro ponto importante é abrir os olhos para o mercado de usados e não desistir do uso de um produto durável na primeira falha. Agora vamos para um exemplo prático?


Quando é necessário um componente para seu automóvel, você vai na concessionária da marca e compra uma peça nova e original para o mecânico fazer a troca. A aquisição de uma nova,te dá a garantia que a mesma segue os padrões rigorosos de qualidade que a marca possui. Para muitos consumidores, comprar um componente remanufaturado ou seminovo de um centro de desmontagem é algo descartado na primeira hipótese, mas é importante ressaltar que esse tipo de atividade, quando bem executada, promove um mercado de economia circular automotivo enorme. Hoje é possível com boas práticas, reutilizar mais de 80% de um veículo mantendo a nobreza técnica do componente, ou seja, descartar somente 20% como sucata.


Nós da OCTA nascemos com o propósito de mudar o mindset do consumidor em relação a esse tipo de componente, dando confiabilidade e garantindo a rastreabilidade nas peças semi novas ou remanufaturadas. No nosso modelo de negócio, enxergamos que todos os componentes são passíveis de ressignificado, seja para:

  • Reuso: Quando a peça está em ótimo estado segundo os padrões OCTA de qualidade.

  • Remanufatura: Quando o componente está em ótimas condições, porém não podem ser vendidas diretamente para o consumidor final por motivo de legislação e precisam voltar ao fabricante de origem para remanufatura e reteste.

  • Reciclagem: Componentes que não estão mais funcionais ou estão fora do padrão de qualidade da OCTA são separados adequadamente e vendidos para a indústria de acordo com a especificação de cada material, para passar por processo de reciclagem e voltar ao uso.

Esse é um passo muito importante no país, pois estamos falando de um universo de 100 milhões de veículos e que só reaproveita menos de 1% desses veículos no final de vida.


Iniciativas como essa da OCTA de mãos dadas com a mudança de comportamento do consumidor vão garantir uma economia circular, sustentável e rentável tanto para quem consome quanto para quem fabrica.





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